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Motoristas fazem filas e combustível começa a faltar em Florianópolis | Destino Florianópolis
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Motoristas fazem filas e combustível começa a faltar em Florianópolis

Publicado por Júnior Silva em: 24/05/2018 | Categoria: Notícias

gasolina em Florianópolis

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Eram 17h50min desta quarta-feira quando o frentista do posto da Rua Arno Hoeschl, Centro de Florianópolis, avisou:

 

— Acabou a gasolina. Só etanol.

 

A fila de veículos que aguardava para abastecer não se moveu. Poucos foram os motoristas que desistiram de encher o tanque, mesmo que fosse com álcool.

 
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O trânsito na região central da Capital estava muito mais complicado que o normal para o horário. Ouviam-se buzinas por todo lado. A impaciência e a pressa em garantir o combustível causavam filas em torno dos postos. Mais adiante, na Rua Crispim Mira, esquina com a Avenida Mauro Ramos, também na região central, a professora Paola Matosi, 41 anos, tentava conexão no celular para acionar um Uber. Ela havia saído do Campeche com o carro já na reserva. Não sabia da possibilidade de faltar combustível na cidade. O resultado foi que o veículo morreu no estacionamento do posto, que já não tinha álcool desde as 16h. Depois, acabou a gasolina. Só sobrou o diesel nas bombas.

 

— Estou desde a tarde circulando e agora vou ter que deixar o carro aqui — lamentou Paola.

 

A solução foi o próprio frentista quem ofereceu: buscar álcool no posto sem bandeira que fica na Mauro Ramos. Solícito, emprestou galões para que pelo menos duas motoristas tentassem abastecer os veículos.

 

Nely Hannoff, 32 anos, coordenadora de equipe, estava pesquisando o preço da gasolina quando soube do desabastecimento da maioria dos postos do Centro de Florianópolis. Com o trânsito trancado, acabou ficando na reserva. Agora, teria que buscar o local mais próximo para ir pra casa.

 

— Não sabia disso tudo. Agora vou ter que encontrar um lugar onde tenha pelo menos álcool — contou.

 

250 postos afetados na região

 

O desabastecimento foi causado por dois fatores: a greve dos caminhoneiros, e, com isso, a impossibilidade de o combustível ser levado até os postos, e o crescente e diário aumento dos preços, que aumento a procura dos motoristas antes que os valores subam ainda mais.

 

Com isso, o cenário que já era complicado nesta quarta-feira na Capital e região pode piorar nesta quinta, se não houver reabastecimento. O alerta é do vice-presidente do Sindicato Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis (Sindópolis), Joel Fernandes. Pelas projeções da entidade, a estimativa é de que 250 postos da região tenham as atividades comprometidas pela interrupção do fornecimento — o diesel deve ser o último a acabar. Cada posto, calcula o vice-presidente, vende em torno de 180 mil litros de combustíveis por mês. Considerando o valor médio de R$ 4 por litro, o segmento deixará de faturar cerca de R$ 6 milhões diários.

 

— Em menos de dez dias quebra todo mundo — afirma ele.

 

Crítico contumaz da política de preços adotada pela Petrobras — “muda todo dia, a gente não tem como acompanhar”, disse —, Fernandes não vê avanços na decisão anunciada pelo governo de zerar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). A medida significaria apenas menos R$ 0,07 por litro. Reduzir a cobrança do PIS/Cofins, como propõe a federação nacional do setor (Fecombustíveis), resultaria em diminuição de R$ 0,70.

 

— O que faria o preço cair seria o governo estadual baixar o ICMS, que hoje é de R$ 1 por litro. Mas não acredito que o Estado tenha condições de abrir mão de sua maior fonte de arrecadação — ressalta.

 
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Procon monitora preços aplicados

 

Em todo o Estado, fiscais do Procon estão monitorando o aumento dos preços dos combustíveis nos postos. Em Florianópolis, nesta quarta-feira, servidores começaram o trabalho e estão fazendo um levantamento de quais estabelecimentos aumentaram o preço injustificadamente. Se isso foi identificado, os responsáveis podem ser notificados, autuados e até multados. Até a noite de desta quarta, nenhum estabelecimento havia sido autuado. o trabalho continua nesta quinta.

 

Em São José, o monitoramento também está sendo realizado. O órgão alerta que qualquer aumento acima dos valores que vem sendo veiculados pelos meio de comunicação pode ser enquadrado como prática abusiva, o que fere o Código de Defesa do Consumidor.

 

— Os Procons de todo o estado estão monitorando os postos de combustíveis e, em São José, não está sendo diferente. Estamos fazendo este acompanhamento e, qualquer aumento além daquele repassado pela Petrobras, pode configurar prática abusiva. Há postos em outras cidades aumentando preço com a alegação de falta de combustível, o que é ilegal e pode trazer consequências severas para os estabelecimentos — pontua o diretor do Procon de São José, Fabrício Vieira.

 

Segundo Fabrício, a orientação é para a população ficar atenta e, ao observar um aumento abusivo, acionar o Procon.

 

— No Sul do estado tivemos um caso em que o Procon do município foi até o posto após uma denúncia de preço abusivo sem justificativa. O estabelecimento foi notificado e abaixou o preço para o que era praticado anteriormente — relata o diretor do Procon de São José.

 

O aumento injustificado de preço em produtos ou serviço é considerado prática abusiva conforme o Inciso X artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor, sendo que o infrator está sujeito as sanções previstas em lei.

 

— Já constatamos que vários postos estão ficando sem combustíveis e isso pode levar os estabelecimentos a aumentarem os preços, mas o Procon de São José está acompanhando a situação e, caso seja acionado, agirá conforme a Lei — finaliza Fabrício.



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